domingo, 4 de março de 2012

Feliz Aniversário




Não me tornei astronauta. Nunca fui o melhor aluno. Não fui o melhor filho. Não fui o melhor pai. Nunca plantei uma árvore. Não viajei conhecendo o mundo. Não ganhei na loteria. Não comprei a casa que sempre quis. Não tenho o trabalho que sempre quis. Nunca ganhei uma briga, por nunca ter entrado numa briga. Nunca pulei de paraquedas. Não tenho amigos. Não fui capaz de fazê-los ficar.  Não me arrisquei a roubar um beijo seu naquela noite. Não vivi o amor, não o que é eterno. Não me lembro mais dos seus olhos, do seu sorriso. Não tenho orgulho do passado. Não tenho esperança no futuro.
- Apague as velas!
Um sopro e minha realidade diante de mim. Cinzenta, solúvel, fugaz.


domingo, 12 de junho de 2011

Quanto tempo...

É...já faz mais de uma mês desde o último texto. Muito tempo, verdade. Posso me justificar pela falta de tempo? Viagens do trabalho, provas da faculdade...Tempo demais para o blog, pouco tempo para mim. Fantástico e irritante relativismo.

Enquanto termino um novo conto, que é sobre - adivinhem - o tempo, publico um conto mais velho, A mosca na sopa.


domingo, 24 de abril de 2011

Uma só companhia

Um só prato à mesa. Uma só escova de dentes no banheiro. Um só par de chinelos. Um só lado da cama revirado. Um só cheiro. Uma só respiração. Uma só voz. Um só coração. Só um vazio. Um só corpo. Só um corpo. Um só nome. Um só pronome. Sempre. Uma só pessoa. Uma só presença. Todas as ausências. Minha mente sozinha. Meus pensamentos sozinhos. Minhas frases sozinhas. Minhas vontades sozinhas. Meus sonhos sozinhos. Uma só impressão. Um só apreciar da luz da lua que entra pela janela. Um só fechar de olhos ao adormecer. Uma só companhia. Ela está aqui. Vela meu sono. Um só passado. Uma só história. Só uma história sem graça. Uma só vida. Só uma vida. Vivida pela metade.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Gatilho rápido


É complicado finalmente ter coragem de expor os meus textos. Se por um lado, me anima a idéia de que algumas pessoas possam gostar do que ivento, por outro, o receio de que os possíveis leitores não gostem ou, ainda, achem que estou perdendo o meu tempo escrevendo o que considerariam tamanha bobagem, é quase tão forte quanto o entusiasmo. Esta é minha mente agora: um duelo instigado pela incerteza do desconhecido entre o entusiasmo e o medo da vergonha.

Essa situação não é nova. Nem pra mim, nem pra ninguém. Nova, contudo, pode ser a resolução.

A vergonha tem suas armas, mas desta vez, quero abatê-la com um tiro certeiro. Na testa. Ela cairá de joelhos diante do seu algoz e antes de dar seu último suspiro, poderá ouvi-lo dizer: "Dane-se!"

Abaixo, o link para o desbravador desse meu novo horizonte: O conto da Barruada.


sábado, 19 de março de 2011

When the ghosts come to haunt...

De vez em quando me pego pensando em muita coisa. Idéias, imagens e impressões que em sua maioria permanecem só na  minha cabeça.

Só que agora vou arriscar torná-las menos etéreas e mais reais. Vísíveis, legíveis e sujeitas.

Um longo caminho pela frente.

Uma estrada há muito abandonada, ladeada por árvores de faces escuras e velhas, espreitando minha passagem. O fraco luar projeta sombras estranhas. Somente o som dos meus passos. Mas não estou só...Os medos, as angústias, os sonhos...Os fantasmas me acompanham.

Stênio Gardel