domingo, 24 de abril de 2011
Uma só companhia
Um só prato à mesa. Uma só escova de dentes no banheiro. Um só par de chinelos. Um só lado da cama revirado. Um só cheiro. Uma só respiração. Uma só voz. Um só coração. Só um vazio. Um só corpo. Só um corpo. Um só nome. Um só pronome. Sempre. Uma só pessoa. Uma só presença. Todas as ausências. Minha mente sozinha. Meus pensamentos sozinhos. Minhas frases sozinhas. Minhas vontades sozinhas. Meus sonhos sozinhos. Uma só impressão. Um só apreciar da luz da lua que entra pela janela. Um só fechar de olhos ao adormecer. Uma só companhia. Ela está aqui. Vela meu sono. Um só passado. Uma só história. Só uma história sem graça. Uma só vida. Só uma vida. Vivida pela metade.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Gatilho rápido
É complicado finalmente ter coragem de expor os meus textos. Se por um lado, me anima a idéia de que algumas pessoas possam gostar do que ivento, por outro, o receio de que os possíveis leitores não gostem ou, ainda, achem que estou perdendo o meu tempo escrevendo o que considerariam tamanha bobagem, é quase tão forte quanto o entusiasmo. Esta é minha mente agora: um duelo instigado pela incerteza do desconhecido entre o entusiasmo e o medo da vergonha.
Essa situação não é nova. Nem pra mim, nem pra ninguém. Nova, contudo, pode ser a resolução.
A vergonha tem suas armas, mas desta vez, quero abatê-la com um tiro certeiro. Na testa. Ela cairá de joelhos diante do seu algoz e antes de dar seu último suspiro, poderá ouvi-lo dizer: "Dane-se!"
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